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Aula sobre o carimbó marcou terceiro dia do V Encontro de Percussão

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O som do curimbó ecoou hoje de manhã no Instituto Estadual Carlos Gomes durante uma aula sobre o ritmo paraense realizada dentro da programação do V Encontro de Percussão da Fundação Carlos Gomes. O evento que começou na última segunda-feira trouxe a Belém o baterista Diego Scliar, os percussionistas Fernando Chaib e Nat Calan do Kontakte DUO(SP) e o professor John Boudler, fundador do PIAP - grupo de percussão do Instituto de Artes da Unesp.

Na aula sobre o ritmo, os integrantes do grupo Som de Pau Oco falaram sobre a origem do carimbo, mostraram os instrumentos característicos dessa música e contaram histórias sobre os mestres que contribuíram para a divulgação dessa música que é a cara do Pará.

Ronaldo Farias, um dos integrantes do Som de Paulo Oco e também participa da banda Soatá, de Brasília, há vinte anos pesquisa e se apresenta tocando e cantando o carimbo. Para ele fazer uma oficina sobre o ritmo é mais uma forma de valorizar a cultura paraense. ‘ É muito importante repassar conhecimento e fazer com que as pessoas valorizem esse ritmo. Se não existe acesso a essa música ela deixa de aparecer e quando as pessoas conhecem o carimbo elas acabam tendo outra visão e passam a valorizar o carimbó’, disse o músico.

A oficina reuniu músicos de várias idades e gerações. O musico Otávio Gorayeb foi um dos participantes. Ele, que já integrou grandes bandas locais e faz parte do grupo Fruta Quente, diz que é sempre bom aprimorar o conhecimento. ‘Mesmo pra quem já toca é sempre um aprendizado. Hoje por exemplo eu aprendi coisas que não sabia sobre o carimbó que é tão importante pra nossa cultura’, revelou o músico.

O professor do Instituto Estadual Carlos Gomes Ricardo Aquino, que dirige o grupo de percussão da instituição e também integra o grupo de carimbó Som de Pau Oco, disse que eles decidiram fazer um masterclass – aula para aperfeiçoar a técnica do instrumento – sobre o carimbo porque a música faz parte da cultura dos alunos daqui e segundo ele ‘é tão importante quanto assistir ao concerto de uma Orquestra.’

De acordo com Aquino, o ensino de ritmos regionais está presente no currículo da Fundação Carlos Gomes.  Ele explica que desde 2007 a FCG desenvolve um projeto na área da Percussão que é único no país. ‘Cada aluno têm aulas com quatro professores de instrumento em áreas específicas do universo da percussão entre elas a percussão popular. Esta estrutura dá ao aluno um amplo leque de conhecimento, apresentando todas as condições para a formação técnica mais adequada ao seu desenvolvimento artístico,’ explica o professor.

O aprendizado ao longo do curso abre muitas possibilidades para os alunos atuarem profissionalmente. ‘O mercado não é apenas em orquestras sinfônicas. Com a carga curricular do curso o aluno se habilita a tocar percussão e bateria em bandas, bandas de baile, grupos de percussão, bandas das forças armadas, além de poder dar aulas', conclui Aquino.

Ao final da oficina, músicos, professores e alunos tocaram juntos usando os instrumentos de base do carimbó e também clarinete e bateria. O baterista Diego Scliar, convidado do evento deste ano, ainda não conhecia o ritmo regional e se encantou. Ele participou da aula com toda a sua experiência e técnica tocando bateria durante a música ' Luar de Algodoal', de autoria do professor Ricardo Aquino. 

 

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